Projetos de combate ao feminicídio esperam votação há uma década
Projetos de combate ao feminicídio esperam votação há uma década Senador Jayme Campos cobrou urgência para votação de leis que ampliam a proteção às mulheres; MT mantem liderança em assassinatos
Autor: Fonte: Assessoria
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A violência contra a mulher no Brasil tem números considerados alarmantes. Pelo segundo ano consecutivo, Mato Grosso lidera o ranking nacional de feminicídios, um dado que acende um sinal de alerta para a urgência de políticas públicas eficazes. Foi com este cenário de fundo, em face do ‘Agosto Lilás’, que o senador Jayme Campos (União-MT) usou a tribuna do Senado Federal na noite desta quarta-feira, 20, para fazer um apelo dramático por celeridade legislativa.
Citando o Mapa da Segurança Pública, que aponta uma média de quatro mulheres assassinadas por dia no país, Campos destacou que a situação em Mato Grosso é ainda mais crítica. A solução, segundo ele, passa necessariamente pelo Congresso Nacional, onde projetos de lei cruciais para o enfrentamento da violência doméstica tramitam por anos, sem previsão de votação.
Como exemplo, ele destacou o Projeto de Lei nº 5.019, de 2013, de sua autoria, que cria o Fundo Nacional de Amparo a Mulheres Agredidas (FNAMA). O fundo teria como objetivo garantir renda e capacitação profissional para vítimas de violência, ajudando a romper o ciclo de dependência financeira que as prende aos agressores.
"De cada quatro mulheres agredidas, uma não denuncia o seu agressor porque depende financeiramente dele. Superar essa barreira é uma das maiores dificuldades" – explicou o senador. Apesar da urgência, o PL aguarda votação na Câmara dos Deputados há mais de 13 anos. "Um atraso inexplicável para uma matéria que pode salvar vidas" - ressaltou.
Outra proposta que aguarda avanço é o PL 1.729, de 2019, que veda nomeações para cargos públicos de condenados por violência contra a mulher. A medida busca impedir que agressores tenham poder e influência institucional, mas também não foi para a votação.
Diante da morosidade das propostas antigas, o senador mato-grossense disse que apresentou uma nova alternativa: o PL 808, de 2025. Este projeto, que também altera a Lei Maria da Penha, visa permitir a transferência imediata de servidoras públicas vítimas de violência doméstica de seu local de trabalho, sem burocracia, para preservar sua integridade física e psicológica. A proposta é tida como um consenso mínimo e urgente, mas sua tramitação apenas se inicia no Senado, dependendo de vontade política para ser apreciada.
“Essa realidade é inadmissível, não podemos naturalizar a violência contra as mulheres – disse, o senador. Tratar mulheres com o devido reconhecimento que merecem é uma agenda urgente, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo”.
Durante o discurso, a senadora Margareth Buzetti (PP-MT), em aparte, elogiou a postura do senador Jayme Campos e relatou a experiência de ser alvo de questionamentos machistas ao defender pautas femininas e destacou a importância de os homens se engajarem na causa. "Nós temos 1.492 mulheres mortas só em 2024. Fora os estupros. É uma selvageria o que acontece com as mulheres" – disse.